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    Meridiano de Sangue

    Meridiano de Sangue é um romance épico de 1985 escrito pelo autor norte-americano Cormac McCarthy. Classificado como um “anti-faroeste”, a história se passa na Fronteira Americana, em meados do século XIX, onde acompanhamos o jovem Kid. Crescendo em um ambiente familiar precário, o garoto foge de casa e é recrutado por um notório grupo de mercenários liderados por John Glanton. Este grupo de fato existiu e atuava na região fronteiriça entre México e EUA, com a única missão de massacrar o maior número de indígenas possível e trazer seus escalpos como recompensa.

    Meridiano de Sangue não é um livro fácil. A narrativa possui uma estrutura solta e o estilo de escrita de McCarthy, com sua pontuação esparsa e ausência de marcações de diálogo (um estilo que se assemelha um pouco ao de Saramago e Guimarães Rosa, na língua portuguesa), pode causar estranhamento em um primeiro momento. Porém a verdadeira dificuldade está na violência exacerbada presente no livro que, descrita de maneira explícita, embora sem nunca perder o tom poético, pode afastar pessoas mais sensíveis.

    É impossível escrever sobre Meridiano de Sangue, sem mencionar sua figura mais instigante e enigmática: o Juiz Holden. Um homem branco, sem pelos no corpo, com mais de 2 metros de altura, que lidera o grupo ao lado de Glanton. Apesar de sua natureza extremamente violenta, o Juiz é o membro mais culto do grupo, fluente em várias línguas e capaz de discutir os mais variados assuntos. Frequentemente interpretado como a personificação do mal – ou até mesmo o próprio Diabo – é por meio dessa figura que McCarthy faz profundas reflexões sobre a guerra e a natureza violenta do ser humano, criando um dos personagens mais memoráveis da literatura universal.

    Meridiano de Sangue apenas cresceu em mim após o término de sua leitura. Mesmo dois meses depois, ainda me pego pensando nas suas inúmeras camadas e no seu final ambíguo e hipnotizante. Por meio de alusões históricas e literárias, McCarthy criou um livro para ser lido e relido, analisado e discutido indefinidamente que, assim como seu antagonista, perdurará até o fim dos tempos.